segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O Telefone


O Telefone

Toda semana era a mesma coisa, minha mãe me chamava perto do telefone, eu já sabia, iriamos ligar para meu pai. Ligar no trabalho dele, onde ela, minha mãe não gostava de falar. Ela discava e passava o gancho para eu falar:
_Ta chamando mãe. Disse pra ela.
_Alô?
_Alô!
_Quem ta falando?
_Você quer falar com quem?
_Com o José.
_Zéééé... telefone!
Escuto sons, pessoas coxixando... Alguém que pergunta.  (_Você sabe quem é?) Alguém pega no telefone.
_Sim, José falando. (sua voz inconfundivel)
_Oi Pai! Tudo bem? Que saudades!!! Quando você vem me ver???
_Oh minha filha! Tudo bem... Eu já pedi para sua mãe para vocês não ligarem aqui. Eu vou ver quando da para eu ir. Eu aviso, tudo bem?! Um beijo filhota! Papai te ama. Tchau. (ele desligou tão rapido que eu nem consegui falar a nada).
_Ele desligou. Disse eu para a minha mãe colocando o telefone no gancho.
_O que ele disse? Perguntou ela.
_O de sempre mãe, para não ligarmos lá. Porque você nunca fala com ele?   
_Mas ele falou o que mais? Falou que vai vir?  Ela continuou a insistir.
_Ele não disse mãe. Ele disse apenas que avisará quando der para vir. Acho que ele ta trabalhando muito.  
Em um ato impensado minha mãe me toma nos braços e com um tom sério e amargo diz quase que chorando.
_Seu pai não ama mais a gente Daisy!
Ela me solta de seus braços e eu corro, eu não estava entendendo o que tinha acabado de acontecer, eu queria fugir, fugir para o mais longe que porderia correr era para o quarto das minhas irmãs. Minha mãe não veio atras de mim. Me sentia protegida no quarto das minhas. Eu não tinha um quarto para mim, dormia com minha mãe. Deitei na cama da Lucy e chorei. Tudo o que eu conseguia pensar era nas palavras da minha mãe. “Seu pai não ama mais a gente”... seria verdade? aquilo parecia tão absurdo. A repetição daquelas palavras não parava dentro de mim. Comecei a me perguntar onde ele estava e porque não vinha mais dormir em casa. Será que ele era como o pai da minha amiguinha da escola que fizera as malas e fora embora de casa? Será que ele não queria mais dividir a cama comigo e minha mãe junto? Ou seria mesmo verdade,  que ele não amava mais a gente? Minhas lagrimas rolavam pela minha face vermelha, eu soluçava de tanto chorar ao pensar em tantas probalidades para que meu pai não quisesse mais vir me ver, enfim adormeci. Acordei na manhã seguinte ao lado da minha mãe. Provavelmente Lucy me carregou. Sai logo da cama a procura dela, ela com certeza saberia me responder o queria saber. Lucy era minha meia irmã, filha mais velha do primeiro casameno da minha mãe, porem isso nunca existiu na minha cabeça, meia-irmã, ela era irmã e ponto. Alias para mim ela era uma mãe.
Encontrei Lucy na cozinha tomando seu café em pé, com pressa como de costume.
_Oi Lucy, bom dia, voce pode me levar pra escola hoje? Preciso conversar.
_Oi Fofinha... Não posso. Lú esta super atrasada! Falamos outra hora ok?! Um beijão! Muak!
E saindo correndo pela porta se foi minha chance se saber se meu pai não amava mesmo mais a gente... droga!  
Logo aparece Any para tomar café e me perturbar na cozinha.
_Oi Praga! Não tra pronta ainda? Vamos nos atrasar pra aula. Vai logo que eu tenho que pegar o onibus das 7:30am
_Any você é uma chata! Vou ficar pronta antes de você. Hummmm (mostrava a lingua)
Dez minutos depois estavamos caminhando para a escola, Any olha para mim e pergunta.
_Você escovou seus dentes?
_Ihh deixa eu pensar. Não. Eu esqueci.
_Daisy!
Risos...